A audiência mediúnica permite ao médium ouvir vozes e sons do plano espiritual, podendo ser percebida como voz interna ou externa, dependendo da faixa vibratória. Este processo envolve os chakras coronário e frontal, permitindo a percepção extrafísica. O discernimento é crucial, e as mensagens devem ser analisadas com base na verdade, bondade e necessidade para garantir um uso seguro e responsável dessa mediunidade.
A audiência, conhecida como a faculdade mediúnica de ouvir vozes e sons provenientes do plano espiritual, é um fenômeno fascinante e de grande importância no contexto do Espiritismo.
Entender a audiência implica compreender não apenas os mecanismos espirituais que possibilitam a comunicação, mas também as diferenças entre os tipos de percepção, como a voz interna e a voz externa.
Este artigo explora profundamente o conceito de audiência, destacando seus aspectos técnicos, exemplos práticos e a responsabilidade ética do médium ao lidar com mensagens do mundo espiritual.
O que é a audiência na mediunidade
Audiência é a faculdade mediúnica pela qual o médium consegue ouvir vozes, sons ou mensagens provenientes do mundo espiritual. Allan Kardec, em “O Livro dos Médiuns”, define a audiência como um tipo de mediunidade de efeitos inteligentes, pois envolve a transmissão de ideias e pensamentos por meio de sons percebidos pelo médium.
Essa percepção não se limita apenas à audição física. O médium audiente pode captar sons de duas formas principais: como uma voz interna, que se manifesta no fórum íntimo, ou como uma voz externa, percebida nitidamente como se viesse de fora, atingindo os ouvidos físicos. Ambas as experiências são autênticas manifestações mediúnicas, mas é importante destacar que, na maioria das vezes, a audiência ocorre em sintonia com a faixa vibratória do médium.
Um dos exemplos clássicos é o do médium Chico Xavier, que frequentemente relatava suas comunicações com Emmanuel por meio da audiência. Ele reconhecia o espírito pelo timbre da voz, mesmo quando não o via. Isso demonstra que a audiência permite ao médium não só captar palavras, mas também identificar entidades espirituais e até distinguir emoções e intenções presentes na comunicação.
Segundo a Doutrina Espírita, a audiência pode ser agradável, quando o médium sintoniza com espíritos elevados, ou desconfortável, caso capte manifestações de espíritos perturbados.
Por isso, o desenvolvimento dessa faculdade requer estudo, disciplina e equilíbrio emocional, como enfatiza Kardec: “O bom médium é aquele que compreende a responsabilidade de servir de instrumento ao mundo espiritual, sempre buscando discernimento e humildade”.
- Faculdade de ouvir vozes e sons espirituais
- Manifestação mental (interna) ou sensorial (externa)
- Reconhecimento de espíritos pelo timbre e conteúdo
- Necessidade de sintonia e equilíbrio do médium
Refletir sobre a audiência é também pensar em como usamos nossa própria capacidade de ouvir: seja no plano físico ou espiritual, a escuta atenta e responsável é um convite à evolução, ao autoconhecimento e ao serviço ao próximo.
Diferenças entre voz interna e voz externa

Quando se estuda a audiência mediúnica, é fundamental compreender as diferenças entre voz interna e voz externa, pois cada uma revela nuances distintas da comunicação espiritual.
A voz interna, também chamada de audiência mental, manifesta-se como um pensamento audível no íntimo do médium. Não há estímulo físico nos ouvidos; ao contrário, a impressão é de que a mensagem ecoa diretamente na mente. Allan Kardec, em “O Livro dos Médiuns” (cap. XIV), descreve essa experiência como sendo a mais comum entre os médiuns audientes. Muitas vezes, o médium sente que está dialogando consigo mesmo, mas percebe claramente que a origem do pensamento não é sua própria consciência. Tal fenômeno frequentemente se confunde com a telepatia, especialmente quando ocorre sintonia vibratória intensa entre duas pessoas, permitindo a captação de ideias à distância.
Já a voz externa caracteriza-se por ser percebida como um som real, audível aos ouvidos físicos. O médium pode ouvir seu nome ser chamado, sons de passos ou conversas, como se uma pessoa viva estivesse ao seu lado. Essa manifestação é mais rara e, segundo Kardec, pode ser tão clara que o médium identifica timbres, entonações e até emoções transmitidas pela entidade comunicante. Contudo, apenas o médium percebe esses sons; se outras pessoas ao redor também escutam, trata-se de um fenômeno de voz direta, pertencente à mediunidade de efeitos físicos, não à audiência.
- Voz interna: Impressão mental, semelhante a um pensamento audível, comum em telepatia e comunicações íntimas.
- Voz externa: Som real, audível ao ouvido físico do médium, distinto e nítido, mas exclusivo a ele.
- Fenômeno individual: Apenas o médium capta a mensagem; se for coletivo, é voz direta, não audiência.
Essas diferenças ressaltam a riqueza e a complexidade da audiência, exigindo do médium discernimento e preparo para interpretar corretamente as mensagens recebidas e evitar confusões com processos mentais próprios.
Mecanismos espirituais da audiência
Os mecanismos espirituais da audiência envolvem uma complexa interação entre o espírito comunicante, o perispírito do médium e seus centros de força, especialmente o chakra coronário e o chakra frontal. Segundo a literatura espírita, o processo inicia-se quando o espírito desejoso de se comunicar aproxima-se do médium e estabelece uma sintonia vibratória, facilitada por afinidade moral e mental.
O mentor espiritual atua primeiramente sobre o coronário, liberando substâncias como a melatonina, que são direcionadas ao canal auditivo espiritual do médium. Esse ajuste químico e energético potencializa a sensibilidade auditiva extrafísica, permitindo que o médium capte sons e vozes do plano espiritual. Simultaneamente, o chakra frontal é ativado para ampliar a percepção e o discernimento, tornando possível distinguir a origem e a natureza das mensagens recebidas.
O fenômeno da audiência não depende do funcionamento normal dos órgãos físicos da audição, pois ocorre no campo perispiritual. Por isso, mesmo que o médium tape os ouvidos, continuará a ouvir as comunicações, já que elas são captadas por vias sutis, além do alcance sensorial comum. Como destaca André Luiz em “Nos Domínios da Mediunidade”: “A mente, quando sintonizada, é capaz de captar vibrações e sons que escapam à percepção ordinária”.
- Sintonia vibratória: Essencial para o início do contato mediúnico.
- Atuação sobre chakras: Coronário e frontal são fundamentais para a captação e interpretação dos sons espirituais.
- Processo perispiritual: A audiência ocorre no perispírito, independente dos sentidos físicos.
Esses mecanismos revelam que a audiência exige não apenas sensibilidade natural, mas também preparo espiritual e equilíbrio emocional. O médium consciente desses processos é capaz de aprimorar sua faculdade, tornando-se um canal mais lúcido e seguro para as comunicações do mundo invisível.
Discernimento e responsabilidade no uso da audiência

O discernimento e a responsabilidade no uso da audiência são aspectos fundamentais para o desenvolvimento saudável da mediunidade.
A Doutrina Espírita adverte que nem todo som ou mensagem captada pelo médium audiente provém de fontes elevadas; é imprescindível analisar a qualidade moral e a utilidade da comunicação.
Allan Kardec, em “O Livro dos Médiuns”, recomenda que toda mensagem seja submetida às “três peneiras”: verdade, bondade e necessidade. Isso significa que o médium deve avaliar se o conteúdo é verdadeiro, se promove o bem e se realmente precisa ser transmitido.
O médium audiente está sujeito a influências positivas e negativas, podendo captar desde conselhos edificantes até manifestações obsessivas.
Por isso, o autoconhecimento, a vigilância dos próprios pensamentos e a busca constante por equilíbrio emocional são ferramentas essenciais para evitar enganos e mistificações.
A história de Chico Xavier ilustra bem essa postura: ele sempre buscava confirmar, através da oração e do estudo, a procedência das vozes que ouvia, demonstrando humildade diante da responsabilidade mediúnica.
- Submeter mensagens às três peneiras: verdade, bondade e necessidade.
- Buscar autoconhecimento e equilíbrio emocional para filtrar as comunicações.
- Evitar sensacionalismo e jamais utilizar a audiência para fins egoístas ou fúteis.
O uso consciente da audiência transforma o médium em instrumento do bem, ampliando sua capacidade de auxiliar o próximo e de crescer espiritualmente.
Como ensina Emmanuel: “A mediunidade é compromisso de serviço e amor, jamais privilégio ou espetáculo”. Que cada médium audiente reflita sobre o propósito de sua faculdade e atue sempre com ética, discernimento e responsabilidade.
FAQ – Perguntas Frequentes sobre Audiência na Mediunidade
O que é a audiência na mediunidade?
Audiência é a capacidade mediúnica de ouvir vozes ou sons do plano espiritual, seja de forma interna (mental) ou externa (auditiva), permitindo ao médium captar mensagens de espíritos.
Qual a diferença entre voz interna e voz externa na audiência?
A voz interna é percebida como um pensamento audível no íntimo do médium, enquanto a voz externa é ouvida como um som real, semelhante à fala de uma pessoa ao lado, mas apenas o médium percebe.
Como funciona o mecanismo espiritual da audiência?
O espírito comunicante atua sobre os chakras do médium, especialmente o coronário e o frontal, ajustando a sintonia vibratória e permitindo a captação de sons no campo perispiritual, independentemente dos ouvidos físicos.
Todo médium audiente pode ouvir qualquer espírito?
Não. O médium só capta manifestações dentro de sua faixa vibratória, sendo influenciado por sua sintonia moral e emocional, o que limita o tipo de comunicação possível.
Como o médium deve lidar com mensagens recebidas pela audiência?
Deve analisar o conteúdo usando as peneiras da verdade, bondade e necessidade, buscando sempre o equilíbrio emocional e evitando propagar mensagens sem discernimento.
Audiência é o mesmo que voz direta?
Não. Na audiência, só o médium escuta a mensagem espiritual. Na voz direta, todos presentes podem ouvir, pois é um fenômeno físico, não intelectual.